AGENDA CULTURAL

30.3.25

Foi presa por que estava lendo

Carolina Maria de Jesus 

 Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

Há gente que gosta de ler biografias, aliás há pessoas que exageram, só gostam delas. A escritora brasileira (naif) Maria Carolina de Jesus (1914-1977) desde criança gostava de ler dicionário. Trata-se de um gosto esquisito, mas instrutivo, era o único livro que tinha. 

Ela nasceu em Sacramento, Minas Gerais. Nome bem católico. Hoje a escritora é o orgulho da cidade, mas no seu tempo de anonimato, foi a vergonha, chegou a ser expulsa.

Carolina de Jesus sentou-se na soleira da porta da sua casa em Sacramento com o dicionário no colo e foi lendo. De repente, fora abordada por soldados e presa porque estava lendo. Foi acusada de estar lendo o livro de São Cipriano. Ela dizia que não, que era um dicionário, mas os soldados não sabiam ler, ela não pode provar que dizia a verdade.

-Que livro é este, o do São Cipriano, que não pode ser lido por todos? - pergunta o leitor. 

Trata-se de ocultismo, bruxaria, que facilmente foi ligado no Brasil à cultura africana. Desde 1937, por iniciativa do constituinte Jorge Amado, há liberdade religiosa também para os negros, mas esse incidente com Carolina de Jesus aconteceu bem antes.    

Foi levada para a cadeia pública aos 12 anos. Apanhou porque estava lendo. Sua mãe foi a seu socorro, mas também ficou presa. Apanhou também. Sacramento virou um inferno. Negro lendo, negro era gente do trabalho, pessoas para serem espancadas. A princesa Isabel já assinara a libertação há alguns anos, mas foi apenas um ato burocrático. 

A menina, em torno de 12 anos, rebelou-se e foi para São Paulo, à procura da Estação da Luz sem a mãe, que não quis participar da aventura. Dizem que Carolina de Jesus saiu a pé, chegou a São Paulo caminhando. Criolo ainda não cantava "não existe amor em SP"

Veio atrás de seus direitos humanos, por ser pobre e preta também tem direito à literatura. Foi morar na Favela Canindé, capital paulista. Virou escritora, transformou-se na vedete da favela.

Num país em que uma menina negra apanhou porque estava lendo, isso há 100 anos, até que evoluímos, pois o combate ao racismo chegou aos campos de futebol.  

Carolina de Jesus era vocacionada para a literatura, queria exercer esse direito. Lutou, escreveu "Quarto de despejo - diário de uma favelada". Enquanto foi cordata, recebeu o prestígio da grã-finagem; quando passou a falar a verdade com todas letras, voltou à marginalidade. Se fosse viva seria uma fanqueira.    


25.3.25

Peixes envenenados na quaresma

Peixes podem se afogar? Apesar de parecer impossível, a resposta é sim. E as mudanças climáticas podem tornar isso mais comum. IA

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Há gente, por interesse (ou ignorância), que não adota o termo mudança climática. Negam.

Os partidários da terra plana têm horror ao termo “mudança climática”, que carrega uma carga semântica ideológica. Não acreditam que o ser humano esteja depredando o planeta. A desgraça acontece por obra de Deus, não há remédio. Se não chove é só fazer promessa para São José. São os negacionistas do meio ambiente.

Com esse significado para o termo "mudança climática", os grandes proprietários continuam destruindo o planeta sem nenhum limite ou punição: apodrecer os rios, envenenar a Terra com agrotóxicos. Deus deixou a Terra para o homem dominar, ou melhor, destruir.

Os ovos estão proibitivos ao preço que chegaram, as galinhas, com tanto calor, já não botam tanto em série. Devido ao clima, não há milho para todas. Na verdade, nos transformamos em exploradores vorazes dos galináceos. O pouco de ovos que sobrou no Brasil, o Trump ofereceu um dinheirão por eles, assim os granjeiros preferem vendê-los aos norte-americanos. 

O café, que não se trata de alimento de primeira necessidade, é mais um costume, uma tradição, vem caindo sua produção devido às mudanças climáticas desde 2021. A falta de água é considerada o pior dano para a lavoura.  

Vietnã, grande produtor de café, enfrenta dificuldades para encontrar terras adequadas para aumentar a produção. A seca no Vietnã afeta a produção local e pressiona o preço global dos grãos. 

Já estávamos com dois problemas, agora surgiu o terceiro. Os peixes estão morrendo afogados! Como? De tanto a gente jogar merda nos rios e córregos, de excesso de agrotóxicos na plantação, os peixes não resistem. Nem café, nem ovos e nem peixes, em plena quaresma. A mudança climática vai nos matar de fome.

Não estou falando lá de longe, o meu cenário é a região Noroeste do Estado de São Paulo, o rio Tietê, a granja Katayama, a torrefação de café Brasil. Até outro dia não se negava água para ninguém, hoje vender água é um grande negócio.

Se não der para comer peixe na Semana Santa porque até o curimbatá está envenenado. Reze assim mesmo, porque o grande culpado dessa desgraça não é Deus, somos nós mesmos, os seres humanos.

A profecia do velho pajé Tamãi, personagem do livro “Apenas um curumim” já está se concretizando: “Dia virá em que caraíbas ficarão com sede, muita sede, e não terão água para beber: os rios e lagoas e valos e regatos e até a água da chuva estarão sujos e podres. E chorarão. E continuarão com sede porque a água do choro é salgada e amarga...” (Werner Zotz)


20.3.25

PONTO CEGO: Confederação pró-armas em Araçatuba



Hélio Consolaro - Rádio Cultura FM 95,5

Foi realizada no dia 8 de março, no Hotel Mariah, em Araçatuba-SP, organizada pelo lLAN - Instituto Liberal da Alta Noroeste a CONFEDERAÇÃO PROARMAS.
O prefeito de Araçatuba Lucas Zanatta foi o mestre de cerimônias, com a presença do deputado federal Marcos Pollon, Campo Grande-MS, líder evangélico , o bispo Marcelo Toschi, (Igreja Amor e Cuidado), o presidente do PROARMAS São Paulo, Rodrigo Duque, além de Paulo Kogos, Tatiane Costa e Capitão Benitez!

O PROARMAS, oficialmente Associação Nacional Movimento Pro Armas (AMPA), é uma associação com sede no município de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, que alega ter o objetivo de produzir conteúdo sobre armas de fogo e atuar pelo acesso civil às armas de fogo.
O PROARMAS foi fundado pelo advogado sul-mato-grossense, Marcos Pollon que é deputado federal pelo estado do Mato Grosso do Sul.
O ponto cego é que numa democracia cada grupo tem a liberdade de se organizar, mas quando se trata de armas, ficamos com um pé atrás. https://youtu.be/onMhlsLkJKg?si=btKdD6mHPlCC3b7d

PONTO CEGO: Lenhador apenas mudou de nome

 



Hélio Consolaro

Rádio Cultura - 95,5 FM - Araçatuba
Quarteirão onde funcionou por alguns anos, bem lá atrás, um cemitério e outrora "almoxarifado da Prefeitura, depois a sede da Acrepom. E agora é propriedade particular em construção. Um quarteirão enorme entre as ruas Marcílio Dias (dois quarteirões), a Gonçalves Ledo e Rangel Pestana.
Ontem ou anteontem, as árvores da calçada da rua Marcílio Dias, plantadas há uma década por um grupo idealista de cidadãos araçatubenses, autorizado pela Prefeitura fez plantio de várias árvores.. Elas estavam grandes, começando a fazer sombra. A empresa que iniciou a construção arrancou todas. Foi autorizada pela Prefeitura? Não importa se com ou sem autorização da burocracia, a qualidade de vida em Araçatuba caiu. O lenhador apenas mudou de nome.

19.3.25

Peguei o trem da vida

Astronautas da Crew-5 a bordo da Crew Dragon "Endurance" da SpaceX. Da esquerda para a direita: a cosmonauta Anna Kikina da Roscosmos, os astronautas Josh Cassada e Nicole Mann da NASA e o astronauta Koichi Wakata da JAXA (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial). (SpaceX)

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Cada pessoa se acha a fina flor da terra. Ainda bem que a mãe nos dá lições de autoestima: "Que menininho bonitinho!". Ou "Eis a minha princesa!" A coruja sempre gabando seus filhotes. O corujão-pai não tem essa preocupação. 

A cápsula Dragon Endurance da SpaceX (cujo dono é Elon  Musk, o cara que manda no Trump) foi utilizada para a missão Crew-9, que retornou à Terra em 18 de março de 2025, que tinha em seu bojo quatro astronautas (termo usado pela Nasa): Nick Hague, Butch Wilmore e Suni Williams, e o cosmonauta (termo usado pela  Roscosmos) Aleksandre Gorbunov.

Eram para ficar (dois deles) oito dias, mas voltaram após nove meses. Dizem que nada enguiçou, só foi mudança no projeto. Desculpa de norte-americano. Esse período estendido  (9 meses) me remeteu ao útero da mulher, o tempo de gravidez.

O nosso tempo de vida na Terra se parece com duração das cápsulas. Não se entusiasme, caro leitor, são meras metáforas desse louco cronista.  A fecundação é o encontro de duas cápsulas (óvulo e espermatozoide). Enquanto se encontram, geram um novo ser, chama-se fecundação.

De repente, ou seja, nove meses depois, nasce a criatura (ou criaturas) gerada. Há uma expulsão da cápsula útero e o novo ser vai se adaptando. Nascimento. Durante sua andança no planeta, vai se adaptando e criando novas cápsulas. Elas vão perdendo a energia, envelhecendo, e são enfiadas em novos buracos, a cápsula da putrefação (túmulo).      

As pessoas transcendentalistas dizem que emana da cápsula uma nova energia (espírito) que encarna noutro ser. Os imanentistas (religiões orientais) afirmam que os fragmentos da antiga cápsula formam outra. Depois dessa sequência, não consigo perseguir a caminhada, não entendo mais nada.    

Eu costumo contar uma história mais simples, resumida, para diminuir a minha responsabilidade aqui na Terra. Cronista é um sujeito folgado. Nasci, peguei o trem da vida já andando e continuei a viagem. 

Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar... 

(Poema Trem de Alagoas, de Ascenso Ferreira)

Para alguns, a vida é curta, para outros, longa. E o trem vai caminhando e eu nele, de repente, vou descer do trem. E ele continua a viagem, recolhendo os viajantes. 

 Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...

(Poema Trem de Alagoas, de Ascenso Ferreira)

Não serei mais passageiro. Morrerei. Então, caro leitor, se a vida é esse treco, tão simples, por que complicar as coisas? Não somos astronautas e nem cosmonautas! 

 

15.3.25

Big Brother Brasil: miserabilidade e linchamento - Marcos Benedito


O Big Brother Brasil (BBB) consolidou-se como um fenômeno midiático de grande alcance, atraindo milhões de espectadores a cada edição. No entanto, por trás do espetáculo televisivo, há um enredo que se baseia na exploração da miserabilidade humana, no estímulo ao conflito e na manipulação dos sentimentos e emoções dos participantes. Trata-se de um programa estruturado para potencializar tensões, alimentar rivalidades e transformar a vida privada em um espetáculo público, sempre visando a maximização da audiência e do lucro.

Desde sua concepção, o reality show se alimenta de um conjunto de características humanas que, em condições normais, seriam tratadas com mais responsabilidade e sensibilidade: a ganância, a soberba, a sede por visibilidade e o desejo de ascensão financeira. O jogo é cuidadosamente construído para que os participantes se tornem peças de um tabuleiro mercadológico, onde suas virtudes e defeitos são expostos de forma a gerar engajamento e debate público. E, em muitas ocasiões, esse engajamento se dá à custa da dignidade dos envolvidos.

Muitos dos que aceitam o convite para participar do programa o fazem movidos pela esperança de mudar de vida, alcançar notoriedade e conquistar oportunidades futuras. Contudo, o que frequentemente acontece é a exposição extrema, o desgaste de sua imagem e, em muitos casos, a estigmatização. A edição, o recorte narrativo e a dinâmica da casa criam personagens que são amados ou odiados pelo público, sem que haja espaço para a complexidade humana.

O BBB e o Linchamento Étnico e Racial

Um aspecto particularmente preocupante do BBB é o que pode ser chamado de linchamento étnico e racial. Ao longo das edições, tem-se observado um padrão no qual participantes negros e periféricos são, frequentemente, os primeiros a serem eliminados. Ainda que haja exceções, a regra geral parece ser a de que esses indivíduos enfrentam julgamentos mais rigorosos do público e dos próprios colegas de confinamento.

Isso não acontece por acaso. O Brasil carrega em sua estrutura social um racismo profundo, muitas vezes velado, que se manifesta de maneira sutil em processos de exclusão como esse. No BBB, participantes negros são frequentemente cobrados de forma mais severa por suas atitudes, enquanto colegas brancos, mesmo cometendo erros mais graves, são mais facilmente perdoados ou redimidos pelo público.

Além disso, há um fenômeno curioso dentro da lógica do programa: aqueles que mais se envolvem em polêmicas e escândalos costumam permanecer por mais tempo, pois o conflito gera entretenimento e audiência. No entanto, quando esses conflitos envolvem pessoas negras, a tolerância do público parece ser menor, e a eliminação ocorre de forma rápida e implacável.

A Indústria da Exposição e o Papel do Público

O Big Brother Brasil não é apenas um reflexo da sociedade, mas também um agente ativo na reprodução de desigualdades e preconceitos. A forma como os participantes são retratados, o tipo de narrativa que se constrói em torno deles e a maneira como o público responde a essas histórias mostram como a mídia molda e reforça padrões sociais.

A grande questão que se impõe é: até que ponto a sociedade está disposta a continuar consumindo esse tipo de entretenimento? Até que ponto compactuamos com um sistema que transforma seres humanos em personagens descartáveis, usados para alimentar um ciclo de exposição, julgamento e esquecimento?

É fundamental que haja uma reflexão sobre o impacto desse tipo de programa na construção de valores e na percepção social sobre questões de raça, dignidade e respeito à individualidade. O entretenimento não pode ser uma desculpa para o reforço de desigualdades e a exploração da vulnerabilidade alheia.

Que essa reflexão possa levar a um consumo mais consciente da mídia e ao questionamento dos valores que estamos reforçando ao dar audiência a esse tipo de espetáculo. 


*Marcos Benedito foi coordenador da temática racial da Central Única dos Trabalhadores (CUT), diretor da Secretaria Municipal de Políticas Cidadã da Prefeitura de Araçatuba. ZAP:
18 99138-0989 

11.3.25

Papa pelado

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

O Papa Francisco está vivendo a via sacra em plena quaresma de 2025, passando por todas as estações. Os açoites vêm da igreja conservadora. Mas como chefe da igreja,  viverá a dor sem gemer, até chegar ao Calvário. 

Foi pescado das beiradas do mundo para exercer este papel. Num país pequeno, mas com bom no futebol, onde torce por San Lorenzo, que tem um ídolo nada santo: Maradona

Cada ser humano vive o sofrimento, a chegada da morte com dignidade. Assim ensinou o Mestre ao carregar a cruz. E Papa Francisco faz o mesmo, desprezando todos os privilégios de seu relacionamento com o Pai.

Há momentos no hospital que ele fica sem os paramentos, nu, as vestes hospitalares se transformam em sudário. O papa fica pelado para mostrar no leito, na mesa dos trabalhos cirúrgicos  que ele não é melhor do que os outros mortais. O Papa Francisco faz isso na maior tranquilidade, vive o mistério da morte como todos nós. 86 anos vividos.

Não quis se aposentar. Está cumprindo os desígnios divinos até o último suspiro, assinando os documentos necessários. Não é apenas um chefe, é uma luz.

O Papa Francisco está pelado, orando, com certeza, mas acreditando no progresso da humanidade, se submetendo aos tratamentos da ciência. Nada acontece no mundo sem o conhecimento do Senhor.

O papa é a ligação entre o céu e a terra. Nessa conversa celestial Bento 16 foi aconselhado por Deus a se aposentar, estava atrapalhando. Papa Francisco será útil, seu último suspiro está sendo prorrogado. Falta-lhe convidar a humanidade ao encontro e à comunhão com Deus. 

Francisco é missionário.


 

 

5.3.25

Quero dar trabalho




Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Quando você está velho ou velha? Segundo Millôr Fernandes, "chega o dia em que você não conhece mais ninguém realmente novo. Toda pessoa nova que você conhece não vem com absoluta originalidade visual. Sempre recorda alguém, existente ou já ido, cuja imagem se superpõe à dela, negando-lhe espaço completo em sua memória. Você está mesmo velho!"  

Segundo o IBGE a expectativa de vida dos brasileiros é de 76 anos, já vivi tudo isso, atingi o ápice. Entrei na lambujem. E para meu regozijo, bem de saúde. 

Na parte sexual, o talher envelheceu junto com o corpo, mas a medicina avançou muito, retira-se o zinabre, para tudo se arruma um jeito.

Já me preocupei com todos, agora todos vão ter que se preocupar comigo. Nem todos, pelos menos os gratos. E para complicar a caminhada, perdi a companheira de quase 50 anos de casado. Tornei-me um viúvo abandonado numa casa onde vivo há 43 anos. Mas nada de lamento, a vida é para ser vivida conforme Deus manda. 

A gente pode até arrumar uma namorada (ou namorado) para não deixar morrer a vida afetiva, mas ela (ou ele) não tem obrigação de cuidar do doente, pois trata-se de um namoro. Se quiser auxiliar, não deve desprezar a oferta. Obrigação não há. 

O psicanalista Contardo Calligaris, italiano que morava no Brasil, andou escrevendo semanalmente na Folha de São Paulo (1999-2021), inconformado dizia que sua vida na velhice era apenas cuidar de si, passara a fase de cuidar dos outros. Morreu com 72 anos de câncer em 2021.

Cuidar dos velhos é uma obrigação, não só da Previdência Social, mas também da família. O problema é que a configuração familiar mudou, milhões moram  em minúsculos apartamentos e nem sempre permite inserir nela os idosos.

Se você, caro leitor, tiver recursos para cuidar de si, com bom plano de saúde e hospedar-se numa casa de repouso, deve levantar suas mãos para o céu. Não fique reclamando atenção 24 horas por dia, deixando o ambiente depressivo.

Eu não tenho vergonha alguma em pedir ajuda aos mais novos, não tenho comigo a filosofia "não quero dar trabalho". Se cumpri bem todos os meus anos vividos, espero agora o retorno: cuidem de mim. Quero dar trabalho, nem que seja num asilo.

Pensar no futuro é ter recursos para viver bem sua velhice, não se trata de deixar uma boa herança para os descendentes. Se puder, se acontecer, deixe alguns bens para eles brigarem ao fazer o inventário.  

PS. Nada de fazer empréstimo consignado para socorrer filhos netos.   


28.2.25

Birigui tem academia de letras

Hélio Consolaro 

Estive na quinta-feira, 27/02/2025, no teatro do Sesc de Birigui. Fui convidado para a posse de mais dois membros da entidade: Deidimar Alves Brissi (partrono: Catulo da Paixão Cearense) e Maria José Barroso Gomes (patrona: Cora Coralina). 

A solenidade foi transformado num ato literário em favor do sertão. Deidimar e Zezé se derretem em declamar poemas de seus patronos. A ABL conta já com sete membros: 

Diretoria da Academia Biriguiense de Letras
- Presidente: Deidimar Alves Brissi
- Secretário-Geral (vice-presidente): Ângela Maria Daneluci Crespo 
- Primeiro-Secretário: Sandra Mara Staff 
- Segundo-Secretário: Maria José Barroso Gomes
- Tesoureiro: Marilu Guidotti Ribeiro
João Victor Pereira Brambila, 
Sueli Terezinha Contel 
De Araçatuba, se fizeram presente os acadêmicos da AAL: Hélio Consolaro: e Hosanah Spíndola. Do Grupo Experimental: Maria Rosa Dias e Vera Ochiucci.

Houve uma banca da Editora Pindorama com livros de escritores regionais e locais, como também de Cora Coralina. 
Araçatuba, Andradina, Lins, Penápolis e Birigui são as cidades da região que já possuem sua academia de letras. Ou seja, os escritores já não tão sós, já se reúnem a favor da literatura. 


    
  

26.2.25

Soltaram o diabo e não avisaram Deus


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

A situação do município de Araçatuba é esta: matam três hoje e há mais quatro amarrados para amanhã. Ando assustado com tantos assassinados e acidentes de trânsito. Há até filho matando mãe.

Não tenho a solução e nem quero culpar ninguém, mas andamos tramando contra o universo. De repente, parece que ele está começando a se irritar.

Uma igreja em cada esquina, um bar em cada quarteirão. E os corpos se avolumam no Instituto Médico Legal. Corpos em todas as faixas etárias. Os órgãos de comunicação só noticiam crimes e mortes violentas. E há os suicídios que não são divulgados. Um crente, meu vizinho, me disse que soltaram o diabo e não avisaram Deus.

Digitei na inteligência artificial as palavras: ordem, pecado e mercado. A resposta veio falando de teologia da prosperidade, revolução tecnológica, valorização do ter, família. Bem desconfiava que o tema exige uma reflexão profunda.

OUVI O LIVRO DA RITA LEE

Pela primeira vez, ouvi um livro. Graça ao audiolivro "Rita Lee - uma autobiografia". Recebi o presente da Claro, por meio do aplicativo SKEELO. Achei legal, celular ligado no fone de ouvido e eu viajando para Goiás no busão. Valeu a pena ouvir e ouvir na voz da própria Rita Lee. Ela fez a obra antes de morrer. E como estamos vivendo o carnaval e Rita é uma paulista que está sendo homenageada por um bloco, convido os internautas para ouvir o livro (ou ler) se seu carnaval for meio paradão.

ESCREVEU Guilherme Samora, jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee:
“Do primeiro disco voador ao último porre, Rita é consistente. Corajosa. Sem culpa nenhuma. Tanto que, ao ler ou ler o livro, várias vezes temos a sensação de estar diante de uma bio não autorizada, tamanha a honestidade nas histórias. A infância e os primeiros passos na vida artística; sua prisão em 1976; o encontro de almas com Roberto de Carvalho; o nascimento dos filhos, das músicas e dos discos clássicos; os tropeços e as glórias.
Está tudo lá. E você pode ter certeza: essa é a obra mais pessoal que ela poderia entregar de presente para nós. Rita cuidou de tudo. Escreveu, escolheu as fotos e criou as legendas e até decidiu a ordem das imagens , fez a capa, pensou na contracapa, nas orelhas... Entregou o livro assim: prontinho. Sua essência está nessas páginas. E é exatamente desse modo que a Globo Livros coloca a autobiografia da nossa estrela maior no mercado.”

25.2.25

Convite - Academia Biriguiense de Letras no Sesc Birigui


📜 Zezé e Deidimar apresentam a intervenção poética: 🎭 POETAS DO SERTÃO 🎶

 

Neste evento será realizada a defesa pública de Cora Coralina e Catullo da Paixão Cearense como patronos de cadeiras da Academia Biriguiense de Letras. 📖👩🎓

 📅 Dia: 27/02/2025

⏰ Horário: 19h30min

📍 Local: Teatro Sesc

🎟 ENTRADA FRANCA! 🆓

 

📚 Exposição e venda de livros!

Das 18h00min às 22h00min, na Área de Convivência do Sesc, haverá uma exposição com venda de livros de escritores locais, além de obras de Cora Coralina e Catullo da Paixão Cearense. 📖✨

✒ Conheça a Academia Biriguiense de Letras!

Durante o evento, você terá a oportunidade de conhecer mais sobre a Academia Biriguiense de Letras, seus membros, suas ações e como participar desta importante instituição literária. 📜📚

 

📢 Participe, compartilhe e prestigie este evento único! ✨

 

📖 Realização: Academia Biriguiense de Letras

📚 Apoio: Editora Pindorama