Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Assisti à série de quatro episódios ADOLESCÊNCIA, sucesso de 100% na crítica, 91% do público. Percentuais nunca vistos. Esquerda e direita aprovaram o seu conteúdo. Ela questiona a paternidade atual.
Sensibilizou até o governo inglês, que está mudando as coisas no país por causa da série. Não houve fato real, a série baseia-se em fatos reais.
Foi filmada em plano-sequência, ou seja, uma técnica de filmagem que registra uma cena inteira sem cortes de câmera. É uma técnica que pode tornar uma obra audiovisual mais realista e rica. Não existe mistério.
Pela internet, os portadores de baixa auto-estima encontram explicação na teoria do 80/20 e e se engajam na rede manosfera (misoginia - odeia as mulheres). Aparece na série o termo "incel", "incel" — celibatários involuntários, os homens que culpam as mulheres por seu fracasso sexual.
Alguns ícones são a figura de comprimido, símbolo dos "red pill" (referência à pílula que revela a verdade em "Matrix"), e o emoji de "100" — referência à teoria 80/20.
As escolas na série são apresentadas como jaulas, um ambiente de desamor, com professores desestimulados que precisam explicar coisa para quem não fez nenhuma pergunta, não tinha nenhuma dúvida a ser tirada.
Os dois primeiros episódios são mais policiais, o terceiro é tenso, conversa dele com a psicóloga e o quarto apresenta a família viajando numa vã (pai, mãe, filha)
SINOPSE
A vida da família Miller muda drasticamente quando Jamie (Owen Cooper), de 13 anos, é preso sob a acusação de assassinar uma colega de escola. Seu pai, Eddie (Stephen Graham), luta para compreender o que aconteceu, enquanto a psicóloga Briony Ariston (Erin Doherty) tenta desvendar a mente do garoto. O inspetor Luke Bascombe (Ashley Walters) lidera a investigação, determinado a descobrir a verdade por trás do crime. À medida que o caso avança, segredos são revelados e a linha entre inocência e culpa se torna cada vez mais tênue. A pressão da mídia e a opinião pública transformam a vida dos Miller em um pesadelo, colocando em xeque os laços familiares e a confiança entre pai e filho. Dirigida por Philip Barantini, a série marca mais uma colaboração entre ele e Stephen Graham, após o elogiado O Chef. Com uma abordagem intensa e realista, Adolescência explora o impacto devastador de uma acusação tão grave na vida de uma família, deixando no ar a pergunta: o que realmente aconteceu?